A
MARCHA A TERRA FIRME
O infográfico ilustra, de forma sequencial e didática, a transição
biológica e geológica do planeta, mostrando como uma superfície rochosa e árida
transformou-se gradualmente em um ecossistema terrestre rico e habitável
através da coevolução entre plantas, invertebrados e o solo.
A transição biológica e
geológica do planeta, andam de mãos juntas, as rochas nos evidenciam isso nos mostrando
como uma superfície rochosa e árida transformou-se gradualmente em um
ecossistema terrestre rico e habitável através da coevolução entre plantas,
invertebrados e o solo.
No Período Ordoviciano com as
primeiras plantas e animais logo após se aventurando em ambientes expostos ao
ar atmosféricos enfrentaram a rocha nua. A Terra apresenta um ambiente hostil e
estéril, as primeiras plantas pioneiras (como musgos e briófitas) começam a
ocupar as margens úmidas, e gradualmente se forma o o intemperismo biológico —
o processo químico e físico pelo qual essas plantas simples começam a quebrar a
rocha superficial.
Com a chegada dos primeiros
Invertebrados a terra firme, estes atraídos pela biomassa vegetal recente, os
pioneiros foram os milípedes, escorpiões e pequenos artrópode de diversos
grupos. Estes primeiros animais encontram abrigo e alimento nas margens
colonizadas, iniciando as primeiras cadeias alimentares terrestres.
Os Primeiros solos modernos
Os solos antes da marcha verde para os continentes eram pobres e
lixiviados até o advento dos Liquens, fungos e posteriormente das briófitas
(formação dos primeiros solos).
Os membros do reino dos
fungos e liquens, já em solo firme, tinham uma ação agregadora e seus restos
permitiram o surgimento de plantas maiores e mais especializadas como as
briófitas (musgos). Vindo atrás de alimento novos desbravadores do novo
ambiente, os animais, como vermes, artrópodes e posteriormente vertebrados dão
prosseguimento a invasão das terras emersas.
Os solos estavam se
tornando um novo nicho ecológico no devoniano e o mundo de muitos animais que
estavam na vanguarda da conquista terrestre. A macrofauna edáfica do solo, que
é o grupo de invertebrados com diâmetro corporal de 2mm a 20mm, como minhocas,
insetos em estado larval e adultos, centopeias, piolhos de cobra, tatuzinhos,
colêmbolos, alguns nematoides e aracnídeos primitivos e ácaros. Esses
organismos desempenham papel fundamental no solo, atuando como agentes no
processo de mineralização e humificação da matéria orgânica, contribuindo para
a fertilidade e estrutura do solo.
Os solos antigos eram uma
mistura de matéria orgânica acumulada na linha costeira, leito de rios e lagos,
com minerais liberados pela erosão das rochas, sendo os mais velhos vermelhos,
devido a serem muito argilosos e com altos teores de ferro magnético.
Os principais criadores,
agregadores e decompositores de solos são os liquens e os fungos. Eles abriram
espaço para os musgos, as plantas sem raiz e posteriormente as com raízes.
Liquens
Os primeiros perfis de solo surgiram no período Siluriano, e a formação do solo é um processo contínuo que envolve o desgaste das rochas e a ação de organismos, como os fungos e liquens.
Os liquens após a
consolidação da camada de ozônio no Ordoviciano, aceleraram o efeito de
intempérie nas rochas, liberando mais nutrientes no solo, tornando-o mais
fértil e abrindo caminho para que outras formas de vida se mudassem para a o
ambiente fora d'agua, portanto os liquens foram decisivos para a colonização da
terra pelas plantas.
Os Fungos
Os fungos foram um dos
primeiros seres vivos na forma macroscópica a adentrarem os continentes. Entre
o Ordoviciano e o Siluriano se desenvolveram tanto que chegaram a formar
florestas, com exemplares arbóreos.
Mas seu principal avanço em
terra firme foi no nível subterrâneo, através da simbiose com as plantas
terrestres, e assim, ao invés de crescerem em direção ao céu se espalharam pela
superfície do planeta.
Os micorrizas são
associações simbióticas entre fungos e raízes de plantas, onde ambos os
organismos se beneficiam. Os fungos micorrízicos ajudam as plantas a absorver
nutrientes e água do solo, enquanto as plantas fornecem carboidratos para os
fungos. Os benefícios são mútuos,
enquanto os micorrizas têm filamentos que aumentam a base das plantas e faz com
que elas fiquem mais estáveis, além de permitem que elas absorvam nitrogênio e
outros nutrientes do solo. Filamentos de micorrizas também penetram as rochas,
liberando nutrientes como fósforo, cálcio e ferro e aumentando o volume de
solo.
As plantas evoluíram rapidamente criando sistemas radiculares mais profundos que aceleram a fragmentação das rochas, que em conjunto com invertebrados trituradores que decompõem a matéria orgânica surge o "protosolo" — um solo primitivo enriquecido com os primeiros nutrientes.
Com a passagem de milhões de ambos o acúmulo contínuo de matéria
orgânica e a constante reciclagem de nutrientes criam um solo espesso, rico e
altamente fértil. Este solo, profundo
sustenta o surgimento de grandes florestas e possibilita uma explosão na
biodiversidade terrestre. A pedogênese (formação do solo) não foi um evento
isolado, mas sim o resultado direto da sinergia entre o reino vegetal e os
invertebrados primitivos, preparando o planeta para a subsequente colonização
dos vertebrados terrestres.
A Consolidação
dos Solos Modernos
Cooksônia primeira planta terrestre conhecida.
A Marcha para a Terra Firme Continua.
As primeiras plantas
terrestres continuavam a formar solos (briófitas e outras de transição), então começaram a alterar a
elas mesmas. As primeiras plantas ajudaram a liberar nutrientes como fósforo e
potássio no solo tendo o efeito de fertilizar tanto a terra quanto o mar.
Com o passar do tempo, as
plantas evoluíram e viraram estruturas mais complexas, desenvolvendo plantas e
sistemas de raízes, completa. Isso trouxe mais matéria orgânica para o solo e
ajudou a estabilizá-lo contra a erosão, além de absorver humidade no solo e
evitar erosão por enxurradas.
Há
cerca de 420 milhões de anos, os invertebrados terrestres estavam em ascensão,
e então se iniciou a segunda onda de colonização verde e animal terrestre, e
mais uma vez, o solo mudou como consequência disso.
Esses invertebrados eram
herbívoros, que devoravam os tapetes de algas e líquen que povoavam a terra e
devolviam nutrientes para o solo. Eles também começaram a colonizar o solo e a
misturar matéria orgânica morta e outros mineiras nas pedras. Essa ação mudou a
estrutura do solo e ajudou as plantas a continuarem seu desenvolvimento.
A variedade de organismos
vivendo no solo aumentou rapidamente. Novos invertebrados apareceram, incluindo
milípedes e ancestrais de aranhas. Há cerca de 360 milhões de anos já no
devoniano, os solos já estavam muito parecidos com os atuais.
O Domínio das Plantas Terrestres
Prototraqueófitas-
Os
Briófitas (Prototraqueófitas) são plantas sem xilema ou lignina como os musgos
modernos, que dependem totalmente da umidade como o Aglaophyton. Mas a matéria
orgânica desta planta, e sua abundancia iria servir de base na formação dos
primeiros solos modernos
Tradicionalmente,
por anos, duas espécies emblemáticas do famoso depósito fóssil Rhynie Chert
(Escócia): Rhynia gwynne-vaughanii e Rhynia major foram
consideradas traqueídes basais. Contudo, estudos posteriores revelaram que a Rhynia
major não possuía traqueídes verdadeiros (o tecido condutor era mais
semelhante aos hidróides dos musgos).
Assim
a Rhynia major que antes fora considerada uma protrotraqueófita com
características de traqueófita basal, foi rebatizada como Aglaophyton major
e reclassificada num gênero à parte por suas características próprias
únicas.
Ciclo
reprodutivo de A. major/L. rhyniensis
Estágios
de desenvolvimento dos gametófitos dimórficos:
O
esporófito maduro (inferior esquerdo) porta esporângios com esporos de dois
tipos. Esporos azuis desenvolvem-se em anteridióforos maduros; esporos laranjas
desenvolvem-se em arquegoniolóforos.
Reconstruções e cortes transversais do caule de Aglaophyton major (a e b). Cientistas descrevem o mais antigo registro de paleossolo com rizomas de plantas vasculares e propõem um importante papel para essas estruturas na estabilização dos solos já a 400 milhões de anos.
Fósseis
dos ancestrais das plantas vasculares atuais, surgiram de cerca de 420 milhões
de anos, do início do Siluriano médio. Essas evidências mostram que a ocupação
do ambiente terrestre estava em pleno andamento naquele período. Os ancestrais
das primeiras plantas vasculares eram pequenos e estruturalmente muito simples.
O
estado de preservação desse fóssil possibilitou estudar detalhes anatômicos
como estômatos, esporos e tecido vascular no caule. Os estudos também
permitiram determinar que a espécie vivia sobre substratos ricos em matéria orgânica
e com grande umidade ambiental pois essas plantas não possuíam células
condutoras de água especializadas (traqueídes) e, portanto, dependiam da
pressão de turgor para permanecer eretas, limitando não apenas os ambientes nos
quais elas poderiam viver, mas também a sua estatura.











