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quarta-feira, 29 de julho de 2020

TOMO LVI - ÉON NEOPROTEROZÓICO


Novas formas de vida...”a união faz a força”...


A nova etapa da vida na Terra e uma das mais incriveis...o surgimento dos metazoários. 


Enquanto Marte já se encontrava seco e o planeta Vênus estava tendo seus oceanos evaporados e sendo recoberto por uma camada de superpluma magmática deixando de ser um bastião propício a vida a Terra estava se tornando um mundo que poderia comportar vida pluricelular superior.
Durante três bilhões de anos a Terra era um mundo capaz de sustentar a vida...mas esta vida era em grande parte unicelular ou colônia destas células.

 O planeta teve que evoluir muito e se transformar com grande influência destes seres microscópicos em geral para ser capaz de suportar vida mais evoluída. Em geral mesmo pela constante orogenia o planeta se manteve estavel por dois quartos de sua história. A vida só se modificaria pela sua própria ação com a oxidação atmosférica e posterior eliminação dos organismos anairóbicos que não se adaptaram a um mundo com atmosfera de oxigênio e aos novos seres que aprenderam a respirar este gás venenoso. Esta teria sido a primeira grande extinção em massa nos registros históricos.

Mas o mundo começaria a se transformar no que conhecemos após o período criogênico e a grande extinção que a terra bola de neve proporcionou a vida primitiva de nosso planeta. Possivelmente a maioria dos filos de invertebrados e das primeiras plantas surgiram deste periodo mesmo tendo ficado pouco nos palcos da vida primitiva. Depois deste periodo a evolução proporcionaria ensaios biológicos que culminariam na explosão cambriana, marco da vida multicelular de nosso planeta.



A carambola do Mar do filo Cetnophora, genéticamente conhecido como o primeiro ser com mais de uma célula(metazoário), recentemente reclassificado pela filogenética como o inicio dos animais e não as esponjas. 




Um breve resumo da Vida na Terra.


Foi nos oceanos primitivos que se formaram as primeiras células, e consequentemente os primeiros seres vivos. Só que estas células eram ainda muito simples, sem núcleo, semelhantes às bactérias actuais. Bilhões de anos mais tarde apareceram as células eucaritóticas.

Neste meio tempo, começaram a desenvolver-se um tipo particular células fotossintéticas (chamadas cianobactérias), que levaram à acumulação de grandes quantidades de oxigénio na atmosfera. Foi trágico para a maior parte das formas de vida, que não eram capazes de respirar este novo gás e acabaram por morrer gerando a primeira grande extinção em massa da Terra.

Cianobactérias fósseis, encontradas na Austrália, e que se presume que tenham cerca de 3500 M.a.



Cianobactéria actual, presumivelmente semelhante às que terão existido na Terra primitiva 



Contudo, as formas de vida que sobreviveram adaptaram-se e diversificaram-se. Permaneceram ainda na água, pois esta filtrava os intensos raios UV que vinham do sol pois ainda não existia uma camada de ozõnio. Aos poucos o oxigénio produzido começou a combinar-se no O3 criando este escudo contra a radiação solar

Na Austrália existe uma praia que está cheia de evidências destes primeiros seres vivos os estromatólitos(do grego stroma - camada e lythos - pedra).
São formações peculiares com camadas alternadas de sedimentos e cianobactérias que se formam nas zonas intertidais (isto é, o espaço que fica na praia entre marés) junto à praia.



Estromatólitos em Shark Bay, na Austrália. Estas estruturas são formadas por camadas sucessivas de cianobactérias e sedimentos, e são muito semelhantes às que existiriam no Pré-Câmbrico. 







Formação de um estromatólito







Estromatólito fóssil encontrado na Bolívia com cerca de 2400 bilhões de anos atrás. 



Estromatólito fóssil ;





Fragmento de estromatólito actual 




Os fungos






Os mais antigos fósseis que apresentam caraterísticas típicas dos fungos datam do Proterozoico, há cerca de 1 430 milhões de anos; estes organismos multicelulares possuíam estruturas filamentosas com septos, e eram capazes de anastomose. 

Novas descobertas recentes foram encontrados no Ártico, em território canadense. Testes feitos determinaram que os fósseis têm entre 900 milhões e 1 bilhão de anos de idade.
Os minúsculos organismos foram descobertos em xisto de águas rasas, uma espécie de rocha sedimentar de grãos finos, em uma região ao sul da ilha Victoria, na borda do Oceano Ártico. 

A idade da rocha torna o fungo meio bilhão de anos mais velho que o recordista anterior, um fungo de 450 milhões de anos que foi descoberto em Wisconsin, nos Estados Unidos. Em estudo publicado sobre a descoberta, cientistas descrevem como uma série de análises químicas e estruturais ajudou na identificação da espécie (Ourasphaira giraldae). Os esporos do fungo têm menos de um décimo de milímetro de comprimento e se conectam uns aos outros por filamentos ramificados. 

De acordo com o relatório, o fungo ficou preso na lama solidificada, fato que impediu a entrada de oxigênio e a decomposição: "A preservação é tão boa que ainda temos os compostos orgânicos", disse Corentin Loron, autora do estudo, ao The Guardian.

Fósseis mais antigos do Pré-Câmbriano são, atualmente, considerados cápsulas vazias de cianobactérias ou então não são suficientemente claro para serem colocados em qualquer dos filos atuais reconhecidos.
Estudos mais recentes (2009), estimam o aparecimento de organismos fúngicos há aproximadamente 760 – 1060 milhões de anos com base em comparações das taxa de evolução em grupos aparentados.





O choque



Copernicus, com 93 quilômetros de diâmetro e 3,8 quilômetros de profundidade é um vestigio de um período agitado em termos cosmicos no interior do sistema sola. 


A Terra e a Lua entre 800 e 735 milhões de anos atrás foi atingida por uma série de impactos de meteoros devido provavelmente a fragmentação de um objeto com um tamanho estimado entre 90 e 100 km de diâmetro. O asteroide seria de classe C tipo Eulália rico em fósforo em vez dos tradicionáis carbonicos meteoritos.





Na superfície Lunar nas proximidades da cratera de copérnico das 59 crateras de impácto analizadas entre 8 e 12 foram formadas simultaneamentes neste período de tempo indicando que parte desta chuva de meteoros partiu em direção ao sistema solar interior e consequentemente para a Terra.
O impácto ou impáctos sofridos pelo nosso planeta foram da ordem de 30 a 60 vezes mais potentes que o que causou a extinção K-T do final do mesosóico. A época do impácto fora pouco antes do chamado período criogênico da Terra bola de neve não havendo ainda evidencias de que este reia sido o elemento desencadeador da era glacial global de nosso planeta mas com certeza um dos elementos participantes pelo fenômeno. 



Na Terra foram inseridos um elemento fundamental para a vida multicelular o fósforo. A seleta lista da vida como a conhecemos é formada por carbono, hidrogênio, nitrogênio, oxigênio, enxofre e, por fim, o fósforo, essencial para o armazenamento e a transferência de energia entre as células. O fósforo, é crucial ao componente Adenosina trifosfato (ATP), que as células dos organismos vivos usam para armazenar e transportar a energia usada na atividade celular. 

Coincidencia ou não, após esta serie de eventos a vida multicelular se desenvolveria exporencialmente na Terra e nas eras seguintes desencadearia a explosão cambriana...marco do domínio dos animais pluricelulares em nosso mundo. 

Coincidentemente esta ultima grande chuva de meteoros teria sido um dos motivos devido a um grande impácto ativado vulcanicamente Venus acabando com seus oceanos, criando uma atmosfera densa e caustica e recobrindoo com uma capa basaltica.



Análises moleculares, determinam que os coanócitos das esponjas são células estritamente relacionadas aos coanoflagelados, datados exatamente em 900 milhões de anos Há registros fosseis mais antigos, datados em 1,2 bilhões de anos como a Bangiomorpha pubescens.


Bangiomorpha pubescens 




Rodínia




Em geologia, Rodínia refere-se a um supercontinente que existia e se rompeu na era Neoproteozóica. Acredita-se que este supercontinente formou-se há 1 bilhão de anos e que abrangia a maior parte da porção continental da Terra. Acredita-se que quebrou-se em oito continentes cerca de 750 milhões de anos atrás. Durante na parte final deste super continente a Terra ficou toda congelada (hipótese da Terra bola de neve), com temperaturas muito baixas e com seu oceano tendo uma capa de gelo que poderia ter em torno de um quilômetro de profundidade.


Antes do congelamento do super continente formou-se grande deserto sem vida vegetal ou animal. Os movimentos dos continentes antes da formação de Rodínia são incertos. Entretanto os movimentos das massas continentais depois do rompimento do supercontinente são melhor compreendidos e continuam sendo objetos de pesquisa. Os oito continentes que compunham Rodínia foram posteriormente reunidos em outro supercontinente chamado Panótia e, depois, Pangeia. Rodínia vem da palavra russa e búlgara Rodina que significa terra natal.


Havia muitos mares no interior desse continente e fósseis de estromatólitos foram encontrados tanto nos mares interiores (de água doce) quanto ao longo das costas externas (ambiente marinho). Evidências fósseis, como trilhas e tocas encontradas na era Toniana podem indicar a presença de vermes triploblásticos, de aproximadamente 5 mm de largura e com relativo grau de complexidade.
Cratons associados: seu núcleo seria formado pelo craton Norte Americano, sendo este cercado por outros cratons.


Período Criogênico



O Criogeniano, entre 790 a 630 milhões de anos atrás. 


Por diversas vezes a terra fora bombardeado por meteoros, cometas e assemelhados que mudavam o clima drasticamente a nível global, mas por um curto espaço de tempo, isto geologicamente falando, mas o que se seguiu fora uma combinação da orbita terrestre que se alterna ao redor do sol de 20 em 20 milhões de anos, posição dos pólos magnéticos que se alterna muito mais freqüentemente e fundamentalmente a configuração das terras emersas choque com meteoros e vulcanismo. 

Tudo isto gerou um período que durou quase 70 milhões de anos em que ouve um congelamento global, onde a vida só sobrevivera nos mares abaixo de uma grossa camada de gelo em que se tornaram os mares. 

Aproximadamente a 700 milhões de anos as massas de terra se uniriam novamente em uma única situada mais ao sul do planeta, esta posição geográfica do supercontinente Rodínia cortou o fluxo das corrente marítimas que aqueciam o globo no hemisfério sul iniciando uma era geleira no sul do continente.



O congelamento do Hemisfério Sul. 

Ao contrario das outras eras do gelo, esta se espalhou pela massa de terra que se estendia do sul ate próximo ao equador, refletindo mais ainda os raios solares e por fim fazendo o gelo avançar no hemisfério norte também.
O oceano do hemisfério norte se congelaria e por fim se uniria ao gelo da massa continental numa única grande geleira.


Regiao de geleiras. 

O mar agora estava coberto por 01km de gelo e a vida quase se extinguiria por completo somente algumas espécies suportaram uma temperatura superficial de 40 ºc negativos durante milhões de anos.
Quem observa-se a terra naquele período acharia ela bem semelhante a Europa, um dos satélites de Júpiter, que possui grossa camada de água congelada em um oceano global.

A existencia deste período foi observada pela presença dos fósseis em um tipo de xisto negro, altamente orgânico. Isso sugere condições de deposição livres de oxigênio (anóxicas). Provavelmente a oxigenação dos oceanos deve ter oscilado muito ao longo dos milhões de anos no fim do Proterozóico.



Europa, satélite de Júpiter com oceano global congelado.


Uma pergunta que fica é como uma comunidade evoluiu neste lugar e neste período? Esta assembléia fóssil é claramente diferente em termo de número de espécies em comparação com biotas preservadas em rochas mais antigas. Há mais espécies e elas são maiores e mais complexas e estes depósitos foram formados logo após esse evento de glaciação. Há 635 milhões de anos atrás, o evento terminou e o grande oceano estava livre de gelo. Talvez isto tenha preparado o terreno para a evolução de eucariotos complexos.


Oceanos congelados. 

As rochas de xisto negro porque, apesar de terem sido estabelecidas em condições não favoráveis para organismos dependentes de oxigênio, são conhecidas por serem capazes de preservar muito bem os fósseis. Na maioria dos casos os organismos mortos são carregados e só então preservados em folhelhos deste tipo. Neste caso, os pesquisadores descobriram que alguns fósseis foram preservados em sua condição original aonde viviam.



Glaciares 


O ambiente teria sido venenoso, porém, a superfície exata aonde estão depositados os fósseis representaria um período de tempo durante o qual o oxigênio estava livre e disponível para os organismos – as condições eram favoráveis! Tratou-se de um momento muito breve, mas o suficiente para que os organismos dependentes de oxigênio colonizassem a Bacia de Lantian estas criaturas eram oportunistas em um mundo de raras oportunidades.


A Bacia de Lantian foi em grande parte um ambiente incapaz de sustentar a vida complexa, porém durante breves episódios foi oportunamente preenchida por novas formas deste tipo de vida, que foram posteriormente mortas e preservadas quando o oxigênio desapareceu. Para localizar estes intervalos demandam-se estudos geoquímicos de alta resolução. Somente assim poder-se-á entender parte da complexa dinâmica ambiental desta localidade durante período Ediacarano.


EROSAO NO PERIODO GLACIAL 

Na era da terra bola de neve tivemos registrado as primeiras evidencias de zonas cobertas por geleiras e com elas as primeiras formas de erozao glacial como as que conhecemos atualmente. Seus indicios que nos retrataram este periodo congelante ao qual nossas ultimas glaciaçoes não foram mais que uma palida lembraça em tamanho e duração.


Abrasão e atrito



Comparaçoes com evendos atuais e de outros periodos glaciais 

À medida que a geleira flui sobre a superfície fraturada do leito de rocha, arrasta consigo blocos de rocha que incorpora ao gelo. Este processo conhecido como atrito, produz-se quando a água de fusão penetra nas fendas e diaclases do leito de rocha e do fundo da geleira e se congela. Conforme a água se expande, atua como uma alavanca que solta a rocha, levantando-a. Desta maneira que os sedimentos de todos os tamanhos passam a formar parte da carga da geleira. 

A abrasão ocorre quando o gelo e a carga de fragmentos rochosos deslizam sobre o leito de rocha e funcionam como um papel de lixa que alisa e pule a superfície situada abaixo. A rocha pulverizada pela abrasão recebe o nome de farinha de rocha. Esta farinha está formada por grânulos de rocha do tamanho da ordem dos 0,002 a 0,00625 mm. Às vezes, a quantidade de farinha de rocha produzida é tão elevada que as correntes de água de fusão adquirem uma cor acinzentada. 

Outra das características visíveis da erosão glaciária são as estrias glaciárias. Estas são produzidas quando o gelo do fundo contém grandes blocos de rocha que marcam sulcos no leito de rocha. Cartografando a direção das estrias pode-se determinar o deslocamento do fluxo glaciário, o qual é uma informação de interesse no caso de antigas geleiras.


Velocidade da erosão
A velocidade da erosão de uma geleira é muito variável. Esta erosão diferenciada levada a cabo pelo gelo é controlada por quatro fatores importantes:
1. Velocidade do movimento da geleira.
2. Espessura do gelo.
3. Forma, abundância e dureza dos fragmentos de rocha contidos no gelo na base da geleira.
4. Capacidade erosiva da superfície debaixo da geleira. 

Os Sedimentos
Bloco errático. 


Uma vez que o material sólido é incorporado à geleira, pode ser transportado por vários quilómetros antes de ser depositado na área da ablação. Todos os depósitos deixados pelos glaciares recebem o nome de sedimentos glaciares. Os sedimentos glaciares são divididos pelos geólogos em dois tipos distintos: 

-Materiais depositados directamente pela geleira, sendo conhecidos como tilito ou argila glaciária.
-Os sedimentos deixados pela água provenientes da fusão da geleira, denominados sedimentos estratificados. 

Os grandes blocos que se encontram no tilito ou livres sobre a superfície designam-se por erráticos glaciários que são diferentes ao leito de rocha em que se encontram (isto é, a sua litologia não é a mesma que a rocha encaixada subjacente). Os blocos erráticos de uma geleira são rochas soltas e portanto logo abandonadas pela corrente de gelo. O seu estudo litológico permite averiguar a trajectória da geleira que os depositou.

Morenas ou morainas




O nome mais comum para os sedimentos das geleiras é o de morenas ou morainas. O termo tem origem francesa e foi atribuído por camponeses para referir-se aos rebordos e terraplanagens aluviais de sedimentos encontrados perto das bordas das geleiras nos Alpes franceses. Na geologia moderna, este termo é mais usado num sentido mais lato, porque se aplica a uma série de formas, todas elas compostas por tilito.Há diferentes tipos de morenas, conforme a posição que ocupam na geleira:


Morena terminal
Uma morena terminal é um montículo de material removido previamente e que se deposita ao término de uma geleira. Este tipo de morena forma-se quando o gelo está fundindo e evaporando perto do gelo da extremidade da geleira a uma velocidade igual a que o avanço fazia adiante da geleira desde sua região de alimentação. Ainda que o extremo da geleira esteja estacionário, o gelo segue fluindo depositando sedimentos como um cinturão transportador. 


Morena de fundo
Quando a ablação supera a acumulação, a geleira começa a retroceder; à medida que o faz, o processo de sedimentação da cinturão transportador continua deixando um depósito de tilito em forma de planícies onduladas. Esta camada de tilito suavemente ondulada se chama morena de fundo. As morenas terminais que se depositaram durante as estabilizações ocasionais da frente de gelo durante os retrocessos se denominam morenas de retrocesso. 


Morena lateral
As geleiras de vale produzem dois tipos de morenas que aparecem exclusivamente nos vales de montanha. O primeiro deles chama-se morena lateral. Este tipo de morena se produz pelo deslizamento da geleira produzindo severos atritos de encontro às paredes do vale em que estão confinadas; desta maneira os sedimentos se acumulam de forma paralela às laterais do vale. 


Morena central
O outro tipo são as morenas centrais. Este tipo de morenas é exclusivo das geleiras de vale e se forma quando as geleiras se unem para formar uma só corrente de gelo. Neste caso as morenas laterais se unem para formar uma franja central escura. 

Morena superficial
estão situadas na superfície da geleira. 

Morena frontal
situam-se na parte dianteira da geleira.


Os Vales glaciários






Vista de um glaciar ativo.


Antes da glaciação, os vales das montanhas tinham uma característica forma de V, produzida pela erosão da água na vertical. Contudo, durante a glaciação esses vales alargam-se e aprofundam-se, o que dá origem à criação de um vale glaciário em forma de U. Além do seu aprofundamento e alargamento, a geleira também alisa este vale graças à erosão. Desta forma vai eliminando os esporões de terra que estendem no vale. Como resultado desta interacção, são criadas falésias triangulares designadas esporões truncados, visto que muitas geleiras aprofundam mais os seus vales do que fazem os seus pequenos afluentes. 

Em consequência, quando as geleiras acabam retrocedendo, os vales das geleiras afluentes ficam por cima da depressão glaciária principal, e são designados por vales suspensos. As partes do solo que foram afectadas pelo atrito e a abrasão, podem ser ocupadas pelos denominados lagos paternoster.Na cabeceira de uma geleira há uma estrutura muito importante chamada de circo glaciário que tem a forma de uma grande taça com paredes escarpadas em três lados, mas aberta no lado que desce para o vale. No circo, dá-se a acumulação do gelo. Estes começam como irregularidades no lado da montanha e logo vão aumentando de tamanho pelo acúmulo do gelo. Depois do que a geleira derrete estes circos são ocupados por um pequeno lago de montanha designado por tarn. 

Às vezes, quando há duas geleiras separadas por uma divisória, e esta, situada entre os circos, sofre erosão, é criada uma garganta ou desfiladeiro. A esta estrutura dá-se o nome de passo de montanha.
As geleiras também são responsáveis pela criação de fiordes, enseadas profundas e escarpadas que se encontram nas altas latitudes. Com profundidades que podem ultrapassar o quilómetro, são provocados pela elevação pós-glaciária do nível do mar e, portanto, à medida que este aumentava, as geleiras alteravam o seu nível de erosão. 

Arestas e espigões
Além das características que as geleiras criam em um terreno montanhoso, também é possível encontrar cristas sinuosos de bordos aguçados que recebem o nome de arestas e picos piramidais e agudos designados por espigões. 

Esses dois traços podem ter o mesmo processo desencadeante: o aumento do tamanho dos circos produzidos pelo atrito e pela acção do gelo. No caso dos espigões, o motivo da sua formação são os circos que rodeiam uma única montanha. 

As arestas surgem duma maneira similar; a única diferença é que os circos não estão dispostos em círculo, mas sim em lados opostos de uma divisória. As arestas também podem ser produzidas com a junção das geleiras paralelas. Neste caso as línguas glaciárias vão estreitando as divisórias à medida que sofrem erosão e fazem o polimento dos vales adjacentes.

Rochas moutonnées

São formadas pela passagem da geleira, quando esta esculpe pequenas colinas a partir de protuberâncias do leito de rocha. Uma protuberância de rocha deste tipo dá-se o nome de rocha moutonnée (do francês mouton), porque se assemelham a carneiros. As rochas moutonnées são formadas quando a abrasão da geleira alisa a suave pendente que está na frente do gelo glaciário que se aproxima e o atrito aumenta a inclinação do lado oposto à medida que o gelo passa por cima da protuberância. Estas rochas indicam a direcção do fluxo da geleira. 


Colinas assimétricas
Drumlins 

As morenas ou morainas são as únicas formas depositadas pelas geleiras. Em determinadas áreas que, em alguma ocasião estiveram cobertas por calotas de gelo continentais, existe uma variedade especial de paisagem glaciária caracterizada por colinas lisas, alargadas e paralelas chamadas colinas assimétricas. 

As colinas assimétricas têm perfil aerodinâmico e são formadas principalmente por terreno errático ou tilitos. A sua altura oscila entre 15 a 50 metros e podem chegar a medir até um quilómetro de comprimento. O lado mais vertical da colina está na direcção do avanço do gelo, enquanto a pendente mais larga está virada para a direcção da deslocação do gelo. 

As colinas assimétricas não aparecem isoladas, pelo contrário, encontram-se agrupadas naquilo que se chama de "campos de colinas". Podemos citar o campo de Rochester, Nova Iorque, que se calcula conter cerca de 10.000 colinas. 

Apesar de não se ter a certeza como são formadas, ao observar-se o aspecto aerodinâmico, pode-se inferir que foram moldadas na zona de fluxo plástico de uma geleira antigo. Pensa-se que muitas colinas foram originadas quando as geleiras avançam sobre os detritos glaciários previamente depositados, remodelando o material. 

Sedimentos glaciários estratificados

A água que surge da área de ablação afasta-se da geleira numa camada plana que transporta sedimentos finos; à medida que diminui a velocidade, os sedimentos transportados, começam a depositar-se e então a água resultante da fusão começa a originar canais anastomosados. Quando esta estrutura se forma, associada a uma calota de gelo, recebe o nome de planície aluvial.

Esboço representando uma geleira em retração. 


As planícies de aluvião só podem estar acompanhadas por pequenas depressões conhecidas por kettles ou marmitas de gigante (termo espanhol derivado do francês), ainda que seja uma forma menor de relevo que se forma nas correntes fluviais, motivo pelo qual não se deveria considerar no sentido estrito do termo, relacionado com as geleiras, apesar de serem muito frequentes em terrenos fluvioglaciários. As depressões das geleiras também se produzem em depósitos de tilitos. 

As depressões maiores produzem-se quando blocos de gelo enormes ficam presos nos sedimentos glaciários e depois ao derreterem-se deixam buracos no sedimento, dando origem, quase sempre, a um sistema formado por numerosos lagos ligados entre si com formas alargadas e paralelas entre si, com uma direcção mais ou menos coincidente com a direcção do avanço do gelo durante as glaciações do Pleistoceno. 

É uma morfologia glaciária muito frequente na Finlândia (que é hábito chamar-se "o país dos 10.000 lagos"), no Canadá e em alguns estados dos Estados Unidos da América, como Alasca, Wisconsin e Minnesota. A amplitude destas depressões geralmente não ultrapassa os dois quilómetros, excepto no Minnesota e mais alguns lugares, ainda que em alguns casos cheguem a alcançar os 50 quilómetros de diâmetro. As profundidades oscilam entre os 10 e os 50 metros.


Depósitos em contato com o gelo
Quando uma geleira diminui o seu tamanho até chegar a um ponto crítico, o fluxo detém-se e o gelo para. Entretanto, as águas de fusão que correm por cima, no interior e por baixo do gelo, deixam depósitos de sedimentos estratificados. Por isso, à medida que o gelo vai-se derretendo, vai deixando depósitos estratificados em forma de colinas, terraços e cúmulos. Este tipo de depósito é conhecido como depósito em contacto com o gelo. 

Quando estes depósitos têm a forma de colinas com encostas empinadas ou montículos são designados por kames. Alguns kames são formados quando a água de fusão deposita sedimentos através de aberturas no interior do gelo. Noutras situações, só são a consequência de deltas até o exterior do gelo, produzidos pela água de fusão. 

Quando o gelo glaciário ocupa um vale, podem formar-se terraços ou Kames ao longo dos lados do vale.
Um terceiro tipo de depósitos formado em contacto com o gelo é caracterizado por sinuosas cristas longas e estreitas compostas essencialmente por areia e gravilha. Algumas destas cristas têm alturas que superam os 100 metros e o seu comprimento ultrapassa os 100 quilómetros. Trata-se dos eskers, cristas depositadas por rios de águas de fusão que correm por baixo de uma massa de gelos glaciários que avançam lentamente. 

Estes rios servem de fuga para a água de fusão que forma a geleira em contacto com o solo e ocupam uma espécie de grutas muito largas por baixo do glaciar. A origem destas colinas alargadas encontra-se na capacidade de arrasto de sedimento entre o gelo (que é muito maior) e a água: no leito destes rios subterrâneos vão-se acumulando materiais arrastados pela geleira que a água não é capaz de continuar a transportá-los. Por esse motivo, os eskers são colinas alargadas por onde passaram os rios internos de uma geleira. São muito frequentes na Finlândia e apresentam sempre a mesma direcção no mesmo sentido do deslocamento da geleira.





O fim do periodo criogênico
Logo após se formar Rodínia já começaria a se fragmentar em três grandes continentes um maior com África, America, Austrália, índia e ibérica outro com Europa e Sibéria e por ultimo Groelândia, America do norte e leste europeu. As temperaturas voltariam a se estabilizar num patamar tropical como antes e um novo mundo cheio de vida seria construído em um curto período de tempo geológico, pois o nicho anterior de vida fora alterado e novas oportunidades em um mundo mais atrativo para os multicelulares do pré-criogênico.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

TOMO LVI - ÉON PROTEROZOICO

Éon Proterozoico
O Proterozoico é dividido em três eras:
Paleoproterozóico (de 2,5 a 1,6 bilhões de anos), quando surgiram os primeiros seres eucariontes.
Mesoproterozoico (de 1,6 a 1,0 bilhão de anos). Era em que se formou o supercontinente Rodínia  bem como a reprodução animal sexuada.
Neoproterozoico (1,0 bilhão de anos a 542 milhões de anos). No final dessa era, termina o éon Proterozoico e a longa fase da história da Terra que se chamava até recentemente de Pré-Cambriano. Este nome compreende o conjunto dos três eóns mais antigos da história do nosso planeta, intervalo que abrange nada menos de 7/8 da história da Terra.
  O Proterozóico começou há 2,5 bilhões de anos e estendeu-se até 542 milhões de anos atrás. São dessa época rochas como as que formam o Grand Canyon, no Colorado (EUA). Fora uma fase de transição, em que o oxigênio se acumulou na litosfera, formando óxidos, principalmente de silício e ferro. Os mares estavam se oxidando, e seu excedente partiria para a atmosfera, começando um lento deposito que alteraria a cor dos mares do esverdeado para o nosso atual azul. As camadas de óxido de ferro formaram-se, sobretudo em torno de 2,5 a 2 milhões de anos.

Exemplos da terra primordial, temos hoje em dia extremófilos (do Lago Mono) onde fora descoberta espécie de bactéria que consegue crescer usando arsênio no lugar do fósforo.
A vida evolui com o incremento respiratório á base de oxigênio. A fermentação não fornece nem de perto a mesma energia que a queima de oxigênio proporciona aos novos seres unicelulares que evoluíram dos primitivos. Surgem os eucariontes e, a dois bilhões de anos atrás, vários outros tipos de algas começaram a aparecer, incluindo algas verdes e vermelhas. A produção do gás outrora venenoso se intensifica. O reino autotrófico se consolida como base da cadeia alimentar do planeta.
 Cerca de 900 milhões de anos atrás os continentes estavam reunidos novamente em uma única massa, chamada Rodínia. Este período ficou conhecido como Terra Bola de Neve, e com este quase se findou a vida da Terra. Rodínia acabou se fragmentando no final desse éon, originando os paleocontinentes Laurentia (América do Norte, Escócia, Irlanda do Norte, Groenlândia), Báltica (parte centro-norte da Europa), Sibéria unida ao Cazaquistão e Gowduana (América do Sul, África, Austrália, Antártida, Índia, Península Ibérica - sul da França).
Dos períodos desse éon, merece destaque o mais recente, o Ediacarano, pela importância dos fósseis encontrados em rochas de Ediacara, no sul da Austrália, a chamada Biota Ediacarana. Ali, animais multicelulares marinhos, depois descobertos também em outras regiões, viveram cerca de 700 milhões de anos atrás. Aparentemente, esses animais sofreram extinção em massa ainda nesta era. O Neoproterozóico era chamado, até recentemente, de Vendiano.



PRIMEIROS SUICÍDIOS

Células produtoras de oxigênio

Havia um problema, as células durante milhões de anos se alimentaram da sopa primitiva, dos elementos que os mares primitivos tinham dissolvidos em sua composição, mas estes nutrientes estavam acabando e os que viviam da fermentação ou de alimento para os primeiros predadores também. Os dejetos, gases (como o próprio oxigênio) e excrementos digestivos intoxicavam os primeiros seres vivos.

Como sempre a natureza acha uma forma de contornar um ecocídio, surgem então os seres autotróficos, tirando do meio seus elementos não utilizáveis por outros unicelulares e com a luz solar criando o próprio alimento. Estes novos unicelulares começaram a interagir com o meio, e o resultado do processo era expelido na forma de um gás oxidante que  que por incontáveis gerações não importunaria a vida no planeta.

Os microrganismos se diversificaram muito desde os primeiros que se alimentavam somente do caldo primitivo, aos que depois começavam a se alimentar de outros seres unicelulares e agora os que se auto alimentam. Mas para uma célula gerar energia foi preciso uma inovação evolutiva, em vez de gerar alimento em alguns casos, a absorção de outro individuo não se concretizava por diversos fatores como resistência da presa, incapacidade de absorção do predador, enfim, surgia uma espécie de simbiose entre os organismos unicelulares que beneficiava a ambos. 

Com o tempo a divisão de ambos passaria a ser conjunta, e que em alguns casos terminou por originar um único individuo com ambas ou parte das características dos antigos organismos.

Verificamos atualmente nas células vegetais com cloroplasto, como exemplo, este possui RNA próprio e estrutura interna característica de outro individuo mesmo que residual; também verificamos isto nas células animais com as mitocôndrias, sem as quais a célula moderna  não poderia dispor de toda a energia que necessita para criar no futuro colônias e dar inicio aos seres pluricelulares!

Estruturas formadas por estromatólitos fosseis

Através da fotossíntese a vida resolve em parte seus problemas de alimentação, altera também a cadeia alimentar tornando os seres autotróficos sua base. Graças a clorofila pode-se produzir glicose(a molécula que da a energia) por meio da água e bióxido de carbono utilizando a então abundante radiação solar ( CO² + H²O + ENERGIA = GLICOSE ).

Neste período os unicelulares capazes de realizar tal feito eram representados pelas cianobactérias representadas pelos estromatólitos que deixaram varias marcas na superfície terrestre de sua passagem e predominância durante milhões de anos.

Algas azuis ou Cianobactérias

Cianobactérias.

Cyanobacteria (do grego: cyano, azul + bacteria, bactéria) pertence ao Reino Monera, são popularmente denominado cianobactérias ou algas azuis, que inclui organismos aquáticos, unicelulares, coloniais ou filamentosos fotossintéticos. Possuem forma de cocos, bastonetes, filamentos ou pseudofilamentos, apresentando coloração azul em condições ótimas, mas são frequentemente encontradas apresentando coloração de verde oliva a verde-azulado.






Na terra primitiva algo estava acontecendo sob os oceanos, a lava quente anteriormente  subia a superfície e ali criava uma crosta basáltica que por vezes apontava para cima da crosta  e logo desaparecia devido a erosão e ao seu elevado peso; mas agora esta lava entrava em contato com a água do oceano primordial e se solidificava muito mais rápido e devido a este processo muito mais resistente que o basalto, surgiria o granito.

O granito além de mais resistente era também era mais leve e começou a apontar acima do nível do mar. Pela sua constituição sofria menos com a erosão e aos poucos foram se criando enormes ilhas basálticas acima do leito oceânico.

Ao redor dos pequenos continentes ficavam mares rasos claros  e quentes, um ambiente muito propício para as melhores condições de vida dos primeiros seres vivos autotróficos se desenvolverem usando esta energia. Os estromatólitos criaram verdadeiras ilhas, camada por camada com sua composição mineral ao longo de milhões de anos consecutivos se espalhando pelas regiões costeiras e liberando enormes quantidades de oxigênio na água oceânica.


Fosseis unicelulares


(E) Glococapsa colonia de quatro célula, (F) Glocodiniopsis de 1.55 milhões de anos


(G)Entophysales e (H)Eoentophysales Cianobactérias coloniais de 1.5 bilhões de anos.



PROBLEMA RESPIRATÓRIO

Os unicelulares autotróficos iniciaram um processo que mudaria a cara do nosso planeta, pois a atmosfera primitiva estava lentamente sendo consumida por estes seres mediante troca de gases via respiração primitiva, tanto que num prazo aproximado de 01 bilhão de anos a maior parte de dióxido de carbono, ficara preso pelo processo da fotossíntese nas rochas, bem como o metano ficaria congelado no fundo do leito oceânico já a milhões de anos, estes gases haviam dado lugar a um gás novo corrosivo e altamente nocivo o oxigênio que aumentava sua concentração de forma alarmante na atmosfera!

 Novamente boa parte dos os seres vivos do Proterozoico tinha de encontrar uma forma de lutar contra a autodestruição, só a inversão respiratória conseguiria eliminar o perigo representado pelo oxigênio e ao mesmo tempo abrir o caminho para seres mais desenvolvidos.

O oxigênio é um gás que proporciona para as células extrair muito mais energia dos alimentos do que o método da fotossíntese e muito mais eficiente que a fermentação. Agora em vez de usar a energia do sol para quebrar proteínas e gerar glicose expelindo o Oxigênio, os novos unicelulares usavam o oxigênio para quebrar a glicose e produzir energia para a célula, estava aberto o caminho para um novo salto na evolução o surgimento do reino animal.

A Oxidação dos mares e a atmosfera de oxigênio


No seu epílogo surgiriam as primeiras formas multicelulares vegetais e dos primeiros animais.

De início com a produção abundante de oxigênio a atmosfera não teve quantidade significativa do gás em questão pois como este elemento é altamente reagente primeiramente interagiu com os demais elementos da superfície terrestre.

A oxidação foi intensa, as principais jazidas de minério de ferro são oriundas deste período. Mas não só com ferro interagiu. A oxidação se deu com as rochas, com o cálcio, cobre entre outros elementos suscetíveis a interação química com o oxigênio puro. Milhões de anos se passariam antes que o gás começasse a se acumular na atmosfera, mas por fim o mundo de mares esverdeados de céu alaranjado deu espaço ao céu e oceanos azuis.

   
PRIMEIRA EXTINÇÃO EM MASSA

Resquícios do impacto de um asteroide na superfície da Terra.

A aproximadamente 2 bilhões de anos um asteroide caiu no sul do que hoje é o continente africano gerando a maior cratera que registrada na terra. O diâmetro da cratera ultrapassa os 150 quilômetros sendo maior até que a do evento K-T dos dinossauros. No seu centro, como se verifica em crateras semelhantes na Lua, se formou um conjunto de montanhas que hoje estão muito desgastadas pela ação do tempo e quase desmentem a sua origem.

Com o impacto milhões de toneladas de detritos devem ter sido arremessados para a atmosfera e ao caírem incinerando a superfície e deixando acido os oceanos, talvez ai tenhamos uma das primeiras extinções em massa, mas pouco se tem dos registros fósseis para verificarmos se alterou significadamente a forma e as relações dos seres unicelulares que dominavam o ambiente no período.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

TOMO LV - Orogenia Arqueana



Ur
Ur é o continente mais antigo confirmado (Diferente de Vaalbara que é apenas teoria) Era formado por algumas partes da Austrália, África e Índia. Foi formado cerca de 3.0 Bilhões de anos.

Ur foi um supercontinente formado há 03 bilhões de anos atrás, durante o final do éon Arqueano. Ur sobreviveria enquanto entidade única até ser separado quando o supercontinente Pangeia se fragmentou em Laurásia e Gondwana.

As rochas deste continente são agora partes de África, do Continente Australiano e do Subcontinente Indiano. Durante o primeiro período da sua existência, Ur foi provavelmente a única massa emersa da Terra, (é considerado um supercontinente por não haver outras massas de terra a lhe fazerem companhia), embora tenha provavelmente sido menor do que a Austrália é hoje. 

Enquanto foi o único continente na Terra, toda a restante massa terrestre encontrava-se na forma de pequenas ilhas graníticas e pequenas massas de terra, não tendo dimensão suficiente para serem consideradas em continente.



O ultimo Supercontinente do Arqueano
Kenorland

.Há 2.700 milhões de anos, a acreção de crátons, as primeiras massas terrestres, forma um único e maciço supercontinente, Kenorland. Um dos supercontinentes propriamente dito, mais antigo conhecido, continha rochas do que hoje são parte a América do Norte, Austrália ocidental, Groenlândia e África do Sul.

A imagem da terra primitiva estava com os dias contados. Ao sair deste período nosso planeta seria bem mais semelhante ao atual. Dos mares esverdeados e da Terra Oxidada Iriamos para os mares azulados com os aumentos de O² atmosférico e a diminuição dos gases do efeito estufa como metano e CO².

Acredita-se que tenha se formado durante a Era neoarqueana á. 2,72 bilhões de anos atrás pela adição de crátons neoarqueanos e a formação de uma nova crosta continental. A orogenia estava em alta com a formação das placas tectonicas e a quantidade de terras emersas aumentou exponencialmente.

Kenorland era formado pelo que mais tarde se tornaria Laurentia (o núcleo da América do Norte e Groenlândia de hoje),  Báltica (atual Escandinávia e o Báltico),  Austrália Ocidental e  Kalahari. Também formou uma parte substancial de Nena ou Columbia, o supercontinente que surgiria na proxima junção de terras emersas.

O núcleo de Kenorland, o Escudo Báltico(Fennoscandian), remonta suas origens a mais de 3,1 bilhões de anos. O Yilgarn Craton (atual Austrália Ocidental) contém cristais de zircônio em sua crosta que datam de 4,4 2 bilhões de anos.



Á Separação

Estudos paleomagnéticos mostram que Kenorland estava em latitudes geralmente baixas até que o rompimento tectônico por plumas de magmaticas, ocorridas entre 2,48 e 2,45 bilhões de anos atrás. A 2,45 bilhões de anos atrás o Escudo Báltico estava sobre o equador e se uniu a Laurentia (o Escudo Canadense), e com os crátons Kola e Karelia. 

A prolongada dissolução de Kenorland, que durou entre a Era Neoarqueana ao final da Paleoproterozóica,  deixaria sua marca em diques máficos, bacias sedimentares e margens-fendas por alguns continentes.


O evento de plumas magmáticas bimodal no manto profundo no início da Terra era comum na crosta arqueana e que auxiliou na  formação dos novos continentes.

O período de tempo geológico em torno do rompimento de Kenorland é considerado por muitos geólogos como o começo do ponto de transição do método da formação de continentes no planalto profundo do Hadeano para o Arqueano Primitivo (antes da formação final do núcleo interno da Terra, núcleo e manto em duas camadas), para a subsequente teoria de convecção tectônica de placas. No entanto, as descobertas de um continente anterior, Ur, e um supercontinente de cerca de 3,1 bilhões de anos o Vaalbara, indicam que esse período de transição pode ter ocorrido muito antes.

A 2.45 bilhões de anos já não existia mais um supercontinente e á 2.515 bilhões de anos existia um oceano entre os crátons Kola e Karelia. A evidencias que em algum momento durante a separação, que o escudo do lago do Escravo e crátons do lago Superior, no atual Canadá, não faziam mais parte do Kenorland. Anteriormente  teriam sido duas massas diferentes, como um supercratons, em ambas extremidades  opostas do Kenorland. Subsequentemente viriam a se unir os crátons do Escravo e do  Superior formando as porções noroeste e sudeste do atual Escudo Canadense.


A fragmentação do continente Kenorland foi contemporânea com a glaciação Huroniana, que persistiu por 60 milhões de anos. Uma das primeiras  glaciações registradas. As formações ferríferas bandadas (BIF) mostram sua maior extensão neste período, indicando um aumento maciço no acúmulo de oxigênio de 0,1% da atmosfera para 1%. O aumento nos níveis de oxigênio causou o desaparecimento virtual do gás metano do efeito estufa (oxidado em dióxido de carbono e água) e assim a terra ficaria azul.

A ruptura simultânea de Kenorland provavelmente aumentou a precipitação continental em todas as suas regiões, aumentando assim a erosão e reduzindo ainda mais o dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa. Com a redução dos gases de efeito estufa, e com a produção de energia solar sendo inferior a 85% de sua potência atual (devido à juventude de nosso sol), a Terra foi levada a um cenário do primeiro caso de “Terra bola de Neve”, o próximo seria registrado somente com o supercontinente Rodínia. As temperaturas médias em todo o planeta despencaram abaixo de zero, e apesar da anóxia indicada pelo BIF, a fotossíntese continuou, estabilizando os climas em novos níveis para o planeta, durante a segunda parte da Era Proterozoica.


O primeiro registro da Terra bola de neve fora quando Kenorland se fragmentara, durou 60 milhões de anos mas não derrotaria a vida que continuava ativa.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

TOMO LIV - AS PRIMEIRAS TRANSFORMAÇÕES NA SUPERFÍCIE TERRESTRE


O primeiro Supercontinente.

Vaalbara:
Vaalbara é o nome do primeiro supercontinente primeiro teorizado da Terra.

Com a crosta terrestre consolidada, o nosso mundo era um oceano global composto por varias pequenas ilhas que representavam as únicas terras emersas do planeta. 
Com o aprofundamento do tectonismo e da formação das placas tectônicas no fundo dos oceanos paulatinamente essas pequenas ilhas começavam a se aglutinar. 

A elas se aliavam as esporádicas plumas magmáticas que emergiam das profundezas da terra e despertavam periodicamente milhares de vulcões pelo globo. Derrames de lava constantes acabavam por preencher o espaço entre as massas de terra e a erosão alargando os litorais.
   
E assim surgiria o primeiro continente global da terra Vaalbrara. Também chamado supercontinente, pois englobou todas as terras emersas do planeta. Vaalbara foi um supercontinente completo há 3.1 bilhões de anos depois de iniciar seu processo de formação há 3600 milhões de anos.

O antigo supercontinente consistia do leste do Cráton Kaapvaal com o Cráton Pilbara a noroeste da Austrália Ocidental. Para os curiosos Vaalbara basicamente era um monte de terra sem vida.

Ainda é incerto quando ele começou a se dividir; evidências geocronológicas e paleomagnéticas mostram que os dois crátons tiveram uma separação rotacional latitudinal de 30° no período de 2780 até 2770 milhões de anos no passado, que indicaria que eles não eram mais únicos depois de 2800 milhões de anos.



As primeiras moléculas da vida

Com o surgimento da vida a terra nunca mais seria a mesma. Raios quebram as moléculas no ar e são transportadas para a sopa primordial onde ocorreria reações e combinações de elementos químicos.

Tempestades que açoitavam o Obre terrestre durante a gradual cheia dos oceanos. A cada novo relâmpago, raio ultravioleta solar cada erupção vulcânica era dada mais condições ao desenvolvimento da vida sob a atmosfera primitiva da terra. Naquele vasto oceano estes elementos por ordem natural começaram a se combinar.

O intenso bombardeio cósmico dos milhões de anos anteriores diminuiria e o saldo deixado, fora inúmeras moléculas orgânicas pelos aerólitos transportados para a terra. Fora os sais e moléculas d’água chegaram pela panspermia aminoácidos os tijolos para a vida.
  


Chaminés vulcânicas


A sopa fervia nos mares principalmente pela grande quantidade de chaminés vulcânicas, no fundo jovem dos oceanos. Ali na rocha porosa favada iria se acumular as primeiras moléculas orgânicas e estas reentrâncias lhes serviriam de célula para ali começarem os primeiros ensaios para a vida.

Após cessarem as chuvas primordiais o que teríamos agora era um oceano global rico em ferro de cor esverdeada com pequenas ilhas basálticas de pouca duração, e uma atmosfera avermelhada.

A terra não possuía camada de ozônio ainda, e os raios ultravioletas entravam sem grandes obstáculos em contato com a superfície, a temperatura estava longe da primordial, mas ainda quente, chegando na zona equatorial a 90ºC, ajudando a quebrar mais componentes e proporcionar novas recombinações de moléculas menores em moléculas gigantes como aminoácidos.




Microesferas de protenóides.

Base dos seres vivos os aminoácidos através de inúmeras combinações estes se aglomeraram em esferas semelhantes a bolhas, os protenóides.
 Em ambientes fechados em balões de vidro dentro de laboratório recriamos as condições da terra primitiva, e assim obtivemos aminoácidos componentes de todas as proteínas atuais.

 Mas os seres vivos não são somente feitos de aminoácidos são compostas de polímeros, moléculas gigantes com centenas e por vezes milhares de unidades semelhantes aos aminoácidos e nucleotídeos.

Possivelmente numa oscilação constante entre evoluções vantajosas e desvantajosas ao longo de inúmeras eras, as moléculas orgânicas do caldo primitivo se tornariam precursoras das moléculas gigantes que constituem a base da vida.
Os polímeros se agrupam em cadeias duplas como zíperes onde o ponto de contato entre as cadeias sempre esta presente um átomo de hidrogênio.

  

Enzima.



Nos seres vivos modernos a função de fecho bioquímico e realizado pelas enzimas estas são também moléculas gigantes formadas por proteínas. As macromoléculas proteicas são compostas por vinte aminoácidos diferentes, seis nucleotídeos formam a espiral de que se originaria a dupla hélice da substancia genética ADN (acido desoxido ribonucleico).

Na terra primitiva não havia enzimas nem muito menos qualquer ser vivo, para tanto os nucleotídeos tiveram que depender de outros fatores para se juntar e originar polímeros. Julga-se que tanto aminoácidos como nucleotídeos devem ter reagido com determinados minerais que desempenharam o papel de enzimas, depois de milhares de tentativas uma destas macromoléculas deve ter conseguido se reproduzir, mas sem outra substancia como proteína ou acido nucleico deve ter sua copia tido tantos erros que a maioria das principais informações acabaria se perdendo, os primeiros ensaios para a vida não foram muito animadores.

 Supõe-se que tanto proteínas e acido nucleicos devem ter surgido ao mesmo tempo e em estreita relação (uma não surgiria se a outra não existisse) .
Estas moléculas especiais povoaram rapidamente todos os nichos ecológicos, onde mutações casuais e as adaptações ao meio em que viviam acabariam por formar grupos moleculares com duas classes de moléculas diferentes:

-Os ácidos nucleicos, responsáveis por guardar informações.
- As proteínas, portadoras de funções.



Exemplo moderno, os príons interagem  atualmente com as células por vezes infectando as e destruindo as, não passa de uma única molécula gigante sem membrana nem genes em geral com apena 20 000 átomos. São medidos em bilionésimo de milímetro.

  
NEM VIVO NEM MORTO

Coacervos.

Novamente após inúmeras combinações os protenóides de que falamos mais acima, se combinavam quimicamente até que assumiram a forma de  proto seres chamados de coacervo, que são bolhas coloidais semelhante a células.

Os coacervo são substâncias intermediárias entre matéria inanimada e o que hoje chamamos de vida, ainda estavam longe de se reproduzir ou de se manter por muito tempo, pois se nutria se assim poderia dizer por osmose, com o ambiente externo!
Estas bolhas para formarem células autênticas, vivas, teriam que seguir um longo caminho ainda. Acredita-se que desta ordem de substancias descenderiam os vírus modernos que seria um passo acima das bolhas coloidais.



Os virus, exemplos modernos

Vírus da poliomielite com 25 milionesimos de milímetros.
Proteína com genes o vírus não pode se reproduzir sozinho é varias vez menor que uma bactéria as quais primeiramente parasitaram, mas poderia ser um descendente de um elemento intermediário da vida como a conhecemos.

  

OS PRIMEIROS SERES VIVOS

Bactérias se alimentando por fermentação.

Quando a atmosfera terrestre se acomodou um pouco mais em suas tormentas, a Lua estava a aproximadamente 100 000km mais afastada e com isto os dias estavam mais longos e as experiências químicas puderam se estabilizar um pouco mais também, assim neste meio surgiu por reação química algumas cadeias em hélice, de composição próxima ao acido ribonucleico(RNA).




Unicelular fossil

Absorvida pelo coacervo do caldo primitivo e a eles incorporado em vez de digeridos, surgia assim o primeiro unicelular procarionte (sem membrana nuclear) com capacidade de se dividir, agora que podiam se perpetuar, os erros e acertos levariam pela evolução, uma quantidade cada vez maior de seres que se alimentavam do caldo onde nasceram, (como fazem as leveduras nos dias de hoje) dando origem aos seres que chamamos de vivos.



 Nas chaminés do fundo dos mares, onde as falhas tectônicas das placas continentais se encontram ou em montanhas submarinas, micro-organismos vivem nas mesmas condições que os primitivos habitantes do planeta, e para completar todo um ecossistema se forma ao redor destes seres numa forma nova de coexistência.

Logicamente após longo período, o poder de sustento dos oceanos estava diminuindo e na primeira crise alimentar alguns dos unicelulares primitivos aprenderiam a se nutrir de outros unicelulares que não tinham a mesma capacidade ou não eram armados biologicamente para se defender, surgiam os primeiros predadores.